O livro «Óscar e a Senhora Cor-de-Rosa», de Eric-Emmanuel Schmitt, explora a morte, o amor à vida, a fé em Deus, a luta pela dignidade na morte e a simplicidade de se conseguir multiplicar as horas em dias, os dias em meses e as semanas em anos... ou ainda mais!
São doze cartas que uma criança de 10 anos, doente com leucemia, escreve a Deus, em estilo de diário.
Em tudo ele é ajudado pelas boas ideias de uma voluntária na área da pediatria do hospital onde a criança está internada. Ela é a "vovó-rosa". Tornam-se amigos. Decidem que «cada dia equivale a dez anos» e Óscar passa a brincar ao faz-de-conta que avança no tempo e que aproveita a vida nas suas diferentes idades.
O livro, de 96 páginas na edição em português, pela MARCADOR, é um encanto de doçura e de valorização da vida e da saúde, que tão facilmente nos habituamos a gozar sem grandes intenções.
Numa das cartas, por exemplo, é referido que «A vida é um presente engraçado. Ao princípio, sobrestimamos este presente: acreditamos ter recebido vida eterna. Mais tarde, subestimamo-lo, achamos que é uma porcaria, muito curta, ficamos quase tentados a deitá-la fora. Por fim, percebemos que não era um presente, era apenas um empréstimo. Então, esforçamo-nos por merecê-la. (...) Quanto mais velhos somos, mais necessário é ter bom gosto para apreciar a vida. Temos de nos tornar requintados, artistas. Aos dez ou aos 20 anos qualquer idiota consegue gozar a vida, mas aos cem, quando não nos podemos mexer, é preciso usar a inteligência.»
A dita "vovó-rosa" desdobra-se em ideias novas conforme as necessidades da criança e consegue enaltecer-lhe os sentimentos a cada dia.
Um exemplo que fica – a vontade de viver o melhor possível.
A vida completa de significados é bela – como o filme.
Outras personagens são os colegas de Óscar (no hospital é conhecido como Cabeça d'Ovo): Peggy Blue, Bacon, Einstein e Pop Corn.
