Este blogue - tal como o livro "O meu outro pai" - pretende ser um tributo ao meu pai e à minha mãe e um meio de comunhão com quem se encontre a viver um processo de luto. Será um espaço de diálogo alma a alma. Por isso, quem o desejar pode colocar aqui feedbacks da leitura do livro e/ou partilhar experiências e sabedorias do luto. Deixem o vosso comentário no final das mensagens publicadas ou enviem as vossas opiniões e relatos para zezabijoias@gmail.com.
terça-feira, 30 de abril de 2013
«Agradeço a Deus a vossa Audácia e o Espírito Missionário»
Olá, Maria José e Fernando!
Agradeço a Deus a vossa Audácia e o Espírito Missionário,
Desejo-vos um trabalho frutuoso e que muitos vos sigam com essa fé e alegria com que vós manifestais e testemunhais.
Quem sabe se um dia Deus vos envia aqui a Timor Leste para partilhares com este povo pobre mas bom o que vós tendes para dar que é o vosso AMOR.
um abraço amigo deste vossa amiga que vos admira e reza por vós
Ir. Olívia Reparadora de nossa Senhora de Fátima
Feedback da leitura do livro «O Meu Outro Pai»
O título "O meu outro pai" seduziu-me.
Pensei que me falaria do outro Pai, Deus.
Afinal este livro fala da dor da perda, de uma forma realista, utiliza um vocabulário que define muito bem o sentir de quem passou ou passa pela dor, de perder quem tanto se ama.
Enquanto lia, a figura da minha mãe fez-se presente junto de mim, recordei os tempos em que ela era a mulher mais activa que eu conhecia e o seu estado actual, completamente dependente de terceiros, sem reconhecer ninguém.
Dói muito vê-la neste estado, é como se fosse um luto antecipado, é a perda antes da grande perda, antes da morte.
As lágrimas começaram a cair e fiquei-me por ali, balbuciando as palavras de carinho que nunca lhe dirigi e que agora (mesmo sabendo que não reconhece a minha voz), me saem tão naturalmente.
Recomendo a sua leitura.
Paulina
terça-feira, 16 de abril de 2013
A morte que trazemos no coração
Nem sempre nos damos conta que a carregamos connosco, mas, desde que somos vida, ela segue-nos de perto. Enquanto não somos tomados pela nossa, vamos assistindo e sentindo, em ritmo crescente ao longo da vida, às mortes de quem nos é querido. A morte de um amigo é como uma amputação: perdemos uma parte de nós; uma fonte de amor; alguém que dava sentido à nossa existência... porque despertava o amor em nós.
Mas não há sabedoria alguma, cultura ou religião, que não parta do princípio de que a realidade é composta por dois mundos: um, a que temos acesso direto e, outro, que não passa pelos sentidos, a ele se chega através do coração. Contudo, o visível e o invisível misturam-se de forma misteriosa, ao ponto de se confundirem e, como alguns chegam a compreender, não serem já dois mundos, mas um só.
Só as pessoas que amamos morrem. Só a sua morte é absoluta separação. Os estranhos, com vidas com as quais não nos cruzamos, não morrem, porque, para nós, de facto, não chegam sequer a ser.
Só as pessoas que amamos não morrem. O Amor é mais forte do que a morte. O sofrimento que se sente é a prova de uma união que subsiste, agora com uma outra forma, composta apenas de... Amor. Dói, muito. Mas com a ajuda dos que partem acabamos por sentir que, afinal, não fomos separados para sempre...
O Amor faz com que a nossa vida continue a ter sentido. A partida dos que foram antes de nós ensina-nos a viver melhor, de forma mais séria, mais profunda, de uma forma, inequivocamente, mais autêntica.
Devemos cuidar de todos os que amamos. Aos que partiram, porém, aquilo que lhes podemos dar é o amor àqueles que ficaram cá. Porque estes continuam a precisar de nós, do melhor de nós... e é sempre uma iniquidade quando um amor por quem partiu mata, em alguém, o amor por aqueles que ainda cá estão.
A morte ensina-nos que o Amor é perdoar mais do que vingar; consolar mais do que ser consolado; partilhar mais do que acumular; compreender mais do que julgar; dar, darmo-nos, oferecer o melhor de nós, mais do que termos o que sonhámos.
Não é difícil compreender que os nossos sentimentos e gestos são determinantes, não só para a nossa felicidade neste mundo, como também para a da outra vida, de que esta faz parte. Repousa em nós, calma e firme, a certeza de que a vida não se mede pela quantidade dos dias... mas pelo amor de que se foi autor e herói.
... Chorar a morte de um amigo é a prova de que a sua vida, aqui, teve valor e sentido. É o mesmo amor que nos deu alegria à vida que nos faz, agora, chorar... não desapareceu, está vivo. Habita-nos o coração.
Ficam as lágrimas choradas no silêncio do fundo de nós. Fica o silêncio onde se ama.
Fica a esperança, que é certeza, de que todo o carinho e ternura que ficaram por dar não se perderam... adiaram-se apenas.
Afinal, a mesma morte que leva os que amamos, também nos levará a nós... será pois uma simples questão de tempo até que possamos abraçar e beijar aqueles a quem, agora, disso a morte nos impede.
No fundo do nosso coração, bem mais fundo do que a morte em nós, está Deus.
A Deus peço a confiança na eternidade do Amor; a Deus peço que ajude os que neste momento sofrem a dor do espinho que a morte crava; a Deus peço que me continue a ensinar e a ajudar a Amar com todas as forças de que sou capaz. A-Deus.
(José Luís Nunes Martins)
segunda-feira, 8 de abril de 2013
Projeto Missionário ... De Deus que nos ama ao amor ao próximo
(existe em azul, verde, vermelho e laranja)
Eu e Fernando Félix, meu marido, somos um casal cuja paixão é o voluntariado
missionário.
Pela nossa fé,
professamos que cremos em Deus, não só um Deus Amor, mas um Deus que ama
continuamente e que nos faz amar como Ele ama.
Por isso, quando casámos
pelo civil, em 2006, decidimos que a nossa lua-de-mel seria uma ação
missionária em África. E foi, na Zâmbia, em missões dos Missionários Combonianos.
Em maio de 2012,
celebrámos o nosso matrimónio religioso. Todo ele teve mensagem missionária: os
nossos trajes eram da Guiné-Bissau (dos mais humildes), o bolo eram palhotas;
ao adquirir as lembranças que demos aos convidados, financiámos três projetos
humanitários em Moçambique. E decidimos, igualmente, que também esta lua-de-mel
seria missionária. E será, de facto, na América Latina, igualmente em missões dos Combonianos.
Não somos ricos, nem
independentes.
Precisamos de apoios para
cumprir o sonho e de ajudas.
E, sobretudo, queremos
ser o que nos orgulhamos de ser: membros de Cristo na Igreja. Por isso, estamos
a fazer uma "tournée" por várias paróquias em animação missionária. E vamos falando a todos, com essa humildade, do nosso sonho.
O que recolhemos em
propósitos de oração,
o que reunimos em ajuda
monetária,
os desafios que deixamos
a outros cristãos para que também se abram ao voluntariado missionário,
são um tesouro que
transportaremos com responsabilidade.
Eu e o Fernando apresentamo-nos à comunidade cristã, aos amigos, como quem pede orações, "tostões"
e vocações, porque, como diz a Igreja, a Fé cresce quando é partilhada.
Gratos,
a troco de ofertas livres,
oferecemos também o livro «O meu outro pai», que nasceu para homenagear os
meus pais falecidos e para partilhar a experiência e a sabedoria do luto quando
vivido em pleno humanamente e na fé.
E distribuímos um porta-chaves
com a palavra Audácia inscrita,
porque «Audácia» é o nosso lema, é o que nos faz vencer medos e ter ousadia de
partir.
NOTA BENE: O que iremos fazer
O projeto missionário prevê três campos de ação, dois em contexto de periferia e outro entre populações índias, nos âmbitos da evangelização e da promoção humana:
a) Ação de evangelização
e promoção humana (pastoral familiar, apoio escolar, apoio na criação de
emprego) na periferia da capital peruana, Lima, e na periferia da cidade de
Arequipa, a Sul.
b) Ação de evangelização
e de divulgação cultural entre os índios ashaningas, anueshas, píros e cunibos,
na paróquia de San Martin de Porres de Pangoa, no Vicariato de Apostólico de
San Ramón, na selva amazónica.
quinta-feira, 4 de abril de 2013
«AMO-TE!»
«Todos os “amo-te” nos salvam da Morte, se tivermos vivido de maneira a saber recebê-los. Sempre que dizemos a alguém “gosto de ti”, estamos a dizer-lhe “não morrerás”. O desafio maior de Viver é construir qualquer coisa que, de tão bela e partilhada, não faça sentido deixar de existir. Construir a Vida é dar-lhe razões para existir sempre.
E “desafio” significa confiar e arriscar… E “construir” significa perguntar e experimentar… E “existir” é receber-se e dar-se, sem ser fonte de si mesmo. E, por isso, não creio que haja outro caminho para chegar a ser Feliz, senão tacteando estas veredas de um certo “não-saber” que, despojando-me das certezas absolutas, me liberta para receber a Vida em toda a sua Graça. Então, há momentos em que a cortina se entreabre um pouco, com a Dança que lá vai dentro, e podemos ter um vislumbre que nos dá Fome e Paz ao mesmo tempo, Sede e Ternura, Desejo e Consolação.
(…)»
(Rui Santiago, cssr)
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