«Perder os nossos pais dói sempre, muito. Mesmo quando já
não somos crianças.
Nunca mais vou chamar pai e mãe. Quem é que vai tomar conta
de mim?
Assumir que somos órfãos é das constatações mais difíceis de fazer. Deixamos de ser filhos de alguém. E por mais que intelectualmente ou
racionalmente consigamos pôr as ideias no lugar e lidar com a realidade,
emocionalmente não conseguimos compreender o que nos acabou de acontecer. E não
sei se alguma vez chegarei a compreender.
Porque é que se dá tão pouca importância e atenção a quem se
torna órfão em adulto? Pensaremos nós que já não precisamos tanto deles, que já
teremos maturidade para lidar com a perda? Quando os pais morrem, perdemos o
nosso porto seguro emocional. Já não temos o ombro paternal onde chorar um
fracasso, a mãe que percebe os nossos dramas existenciais.»
(Marta Aragão Pinto, No
Céu a Olhar por Mim)
Identifico-me completamente!!!








