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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

A vida depois de uma perda significativa

«O que acontece quando nós experimentamos uma perda? Quando somos abalroados pela natureza da vida, pelo seu fluxo e pela sua imposição? No momento da perda, uma parte do que nós reivindicamos como sendo a nossa vida, corpo, ou coisas desaparece. Nós sofremos com isso. Sentimo-nos feridos. Podemos sentir-nos diminuídos ou “menos do que éramos” antes da perda. Um turbilhão de sentimentos invade-nos o espírito como se tivéssemos sido arrastados por um tornado. Sentimos o chão a fugir-nos debaixo dos pés. Ficamos confusos, resignados, perdidos, à beira do desespero e tentamos a todo o custo encontrar um significado lógico para o sucedido. Procuramos, mas na grande maioria das vezes não encontramos. Forçamo-nos a perspectivar um caminho que faça sentido.
(…)

Cada pessoa responderá de acordo com a sua forma de ser, de ver o mundo e da capacidade que tem ou não para erguer-se acima da sua perda e perspectivar um caminho que volte a ter significado. Diferentes pessoas sentem de maneiras diferentes a perda. Contudo, as nossas vidas não são estáticas. A vida não pára depois de uma perda ou de um acontecimento catastrófico. E nós também não paramos de crescer e de nos desenvolver enquanto pessoas. Enquanto seres humanos temos em nós capacidade de nos organizarmos para compensar as nossas perdas e decepções e criar novos caminhos e habilidades face aos desafios.

Em geral, não estamos habituados a pensar desta forma. Pensamos: perda é perda. Pensando desta maneira sobre a perda, ou seja, ficar com a noção de que ficámos com menos, depende da forma como se mede a própria perda.
(…)

ACEITAÇÃO DA PERDA
Eu não pretendo transmitir a ideia de que a perda é em si mesma algo bom. Eu também sei o que é a perda, o que é chorar a perda de alguém querido, ficar destroçado com perdas profundas, físicas, emocionais e financeiras; conheço esse território muito bem. Com o tempo, porém, fui aceitando que as perdas são uma condição da vida, e que com o passar do tempo elas vão-se somando. Então, se é inevitável enfrentarmos algumas perdas ao longo da nossa vida, acredito que algumas devem ser choradas, sentidas e vividas tal como acontecem. Existe um tempo para tudo. E passado o tempo de chorar, ou reflectir sobre a perda, seja ela qual for, é tempo de olhar em frente. É tempo de não acrescentar mais sofrimento a essa mesma perda. É tempo de minimizar os acontecimentos que teve na nossa vida e consequente impacto emocional, e fazer coisas para nos restabelecermos, fortalecermos e perspectivarmos um caminho. Um novo caminho que nos faça voltar a ter alegria de viver.

O que nos pode empurrar na direcção de nos focarmos apenas nas nossas perdas, em vez de olhar para a totalidade das nossas vidas é a ideia de que nós devemos ter o controlo do que nos acontece. Se acreditamos que podemos controlar as nossas vidas, ficamos com raiva quando nos deparamos com a perda e passamos o tempo a olhar para trás numa tentativa de descobrir como tal coisa pode ter acontecido e o que deveria ter sido feito para o evitar. Adoptamos uma luta que pode ser inglória, visto que nos esforçamos por voltar exactamente para onde estávamos, em vez de descobrirmos o que está ainda para vir e para alcançarmos.

A vida não é estática, e como tal, irão sempre acontecer situações que fogem ao nosso controlo. Certamente essas situações, se forem negativas e originarem perda, geram igualmente angústia, decepção, tristeza, ressentimento, e outros sentimentos que nos fazem sentir mal. E isso é uma realidade; aceitá-la é uma condição para perspectivarmos um novo caminho.

Perante a perda e o infortúnio, ultrapassar a angústia gerada pelos acontecimentos é um objectivo importante. Para que o objectivo seja possível de alcançar é necessário libertar a mente e restaurar o equilíbrio emocional. A aceitação é um meio de alcançar a paz de espírito suficiente para perspectivar um caminho. Há que focar-nos no objectivo, pois o caminho faz-se caminhando.

(…)
No entanto, depois da derrocada pode existir esperança. O que escolhemos fazer e o modo como nos influenciamos e incentivamos a nós mesmos molda a nossa vida e isso tem efeitos profundos sobre nós. Cada um de nós influencia o curso da sua vida, mas não a controla na totalidade. As perdas acontecem. As oportunidades surgem. Nós respondemos a essas oportunidades, ou não. É aí que a nossa influência acontece: em resposta aos acontecimentos, o nosso controlo possível toma o seu lugar.

(…) deixando ir a ideia de que deveria ter evitado a perda de acontecer. Foi o que aconteceu. É um facto, é uma verdade, é uma realidade. Em seguida, cuidadosamente podemos abrir os nossos corações e tornar-se conscientes de que a nossa vida pode crescer e prosperar. Podemos tornar-nos mais do que fomos, independentemente da perda.»

(Miguel Lucas, in Psicologia Positiva)

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

«Nada nos torna tão grandes como uma grande dor.» (Alfred de Musset)

Às vezes, quando nos sentimos sós no universo...



Às vezes, quando nos sentimos sós no universo, Deus nos manda uma imagem semelhante para diminuir nossa sensação de isolamento e disparidade.
É sempre reconfortante conseguir perceber que, sejam quais forem as dificuldades e limitações que 

estejamos atravessando, sobre a terra existem outras tantas dezenas ou centenas de criaturas que, como nós, passam por situações semelhantes.
E, o mais importante, lutam e vencem. É a mensagem viva de bom ânimo da divindade para as nossas próprias vidas.

Por Sônia Gimenez, 
Terapia do Amor - Apoio ao luto
Este grupo nasceu em Birigui-SP (10/09/2012) quando uma mãe enlutada sentiu a necessidade de se reunir com outras mães e familiares que haviam vivenciado a dolorosa experiência de perder um ente querido para partilharem seus sentimentos e ao mesmo tempo se ajudarem mutuamente.

A morte é a única entrada para o absoluto

Perguntaram a Manoel de Oliveira, de 104 anos: «Tem medo da morte?»
Respondeu: Ninguém tem medo da morte. Ao nascer, não há outra finalidade certa que não seja a morte. Hoje, na minha idade, penso que a morte, quer para um religioso e crente, como eu sou, quer para um leigo, será a única entrada para o absoluto.


(do filme: Singularidades de uma Rapariga Loura)

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

«Morte
lugar de encontro
e amor
chamada à vocação natural do ser
onde a alma de tudo despida
se encontra com o Criador
Pai
que nos devolve à origem
paraíso
nova vida
felicidade
que se faz eterna.»

(Miguel Abreu)

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

«A morte não existe – nós existimos nela.
E faço este discurso envergonhado
(mas algo hei-de dizer enquanto sinto
que não é o meu fim que ali se encontra
mas o princípio) como quem senta
o rabo na borda da cadeira e escorregando
se afunda lentamente pelo chão: a viagem
é essa, esse é o rio – ou ela.»

(Pedro Tamen)

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

«A fé é uma expectativa.
A fé é um lugar sem certezas.
A fé é um lugar de abertura.»

(P. Tolentino Mendonça)
Morrer em suaves prestações

Durante anos e anos não pensamos na velhice, sendo que velhos para nós são aqueles que têm mais de 40 anos. Por essa altura acreditamos que se algum dia lá chegarmos, à velhice bem entendido, vamos lidar com ela sem qualquer problema, afinal que diferença faz ter mais ou menos rugas na cara?

Mas no dia em que nos sentimos a perder uma qualquer capacidade, às vezes tão insignificante como não ver as letras pequenas dos rótulos, no dia em que nos dizem que começa a ser arriscado ter filhos, ou quando numa conversa percebemos que não é provável que estejamos vivos na data que acabámos de referir, aí como que vemos a areia a escorregar da ampulheta a uma velocidade assustadora. Depois afastamos o pensamento e entregamo-nos de novo ao trabalho, à família e aos amigos, e a felicidade de cada momento devolve-nos a certeza da eternidade.

E percebemos como o terror deve estar em morrer sem ter vivido, e não na morte depois de uma vida plena. Só a vida intensa nos resgata do medo da morte, que por sua vez nos mata em suaves prestações. E é por isso que dar sentido ao que fazemos, empenhando-nos num trabalho gratificante, criar relações de afecto em que damos e recebemos, e investir no envelhecimento activo, como agora lhe chamam, é a única forma de assegurar um presente e futuro feliz.

(…)

(Isabel Stilwell, in Destak)

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Luto(s)

«Há muitos tipos de perda, mas a perda principal é a morte. Quanto mais fortes forem os laços com alguém maior a dor e o luto, que pode considerar-se o outro lado do amor. O luto, excepto quando não houve o trabalho sadio do luto e, assim, se tornou patológico, não é, pois, uma doença, mas tão-só a expressão da dor pela morte de alguém significativo.

Trata-se de uma dor que afecta as múltiplas dimensões do ser: física, psíquica, espiritual, social, sendo, por isso, a reacção à perda igualmente variada: choque, negação, tristeza, depressão, culpabilização, raiva, ansiedade, desinteresse pela vida quotidiana, fadiga, desamparo, com expressões físicas, como perturbações do sono, problemas gástricos, sensação de vazio físico e psíquico...

Há vários tipos de luto. Pode ser antecipado: face à perda iminente de alguém. Há o luto caracterizado como ambíguo: pense-se no caso da perda por ocasião de um rapto e se ignora se a pessoa está viva ou morta ou no caso de se viver em presença de uma pessoa com Alzheimer: ela ainda está viva e já está "morta". Há lutos mais complicados, porque não são ou podem não ser reconhecidos: pense-se no caso dos homossexuais, que perdem o/a companheiro/a, ou dos que perdem o/a "amante". Há lutos retardados: não foram feitos no devido tempo, e lutos crónicos: as pessoas nunca mais enterram os seus mortos e as energias ficam todas fixadas no passado, instalando-se a incapacidade de reintegração na sociedade e reinvestimento na vida que continua. Há lutos encobertos: o luto não foi elaborado em termos sadios e manifesta-se de modo mascarado, por exemplo, numa doença pela qual, inconscientemente, se quer chamar a atenção. Para a morte de um filho nem há nome: quem perde o pai ou a mãe fica órfão, o viúvo ou a viúva perderam a mulher ou o marido; mas que nome se dá ao pai ou à mãe que perderam um/a filho/a?

No luto, elabora-se a dor e aprende-se a pensar sem culpa sobre a perda, a exprimir sentimentos e a partilhá-los. É uma resposta física, emocional, cognitiva, social e espiritual a uma perda significativa.

O que se pretende é o caminho da aceitação da realidade – superar a negação, aceitar a morte como morte. Mesmo que possa haver alucinações, é preciso compreender e aceitar que a morte é morte e que o morto nunca mais regressa a este mundo. Por outro lado, dar expressão aos sentimentos e partilhá-los: dar nome ao que se sente. Os sentimentos não são morais, lembra o especialista José Carlos Bermejo.

Outro objectivo: adaptar-se ao ambiente em que o defunto já não está, o que implica a capacidade de, com o tempo, desmontar os lugares e as coisas do morto: é preciso fazer as pazes com os espaços do outro definitivamente ausente, e compreender que é necessário investir noutras realidades – investir energia emotiva noutras tarefas e relações. Pode-se de novo viajar, sorrir, viver a vida.

O caso das crianças é especial. Não se deve mentir, dizendo, por exemplo, que a pessoa querida foi viajar, pois isso significaria que a abandonou, mas deve-se perguntar pelas suas preocupações, fomentar o diálogo e a recordação, ouvi-las, permitir a participação em rituais, explicando e dirigindo-se expressamente a elas. Dizer claramente que se não compreende. Apresentar a Natureza, onde também se morre, como comparação.

O luto é um processo, que pode durar 6 meses e pode ir até 1-2 anos. Os rituais – velório, enterro, cremação – têm um papel decisivo. A religião pode ser uma ajuda fundamental, na medida em que vem em auxílio com a fé no Deus da Vida contra a morte.

E aí estão as pessoas, com a capacidade de acompanhar a pessoa enlutada, sabendo ouvi-la ou estar em silêncio, indo ao encontro das suas necessidades, deixando-a falar e chorar.»

(P. Anselmo Borges, in Diário de Notícias)

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Comemorando os mortos

O dia 2 de Novembro é uma data em que crentes e não crentes recordam os seus entes queridos já falecidos. É comum ir ao cemitério, levar flores, acender velas, fazer memória dos que morreram.
No entanto, como escreve Francesca Pica:

«Na nossa cultura ocidental, a morte é, hoje como ontem, um tabu, um assunto a evitar ou a banir. Precisamente nas partes mais avançadas, mais distantes da naturalidade da vida, nos países mais evoluídos, onde há maior bem-estar, onde a concorrência torna tudo mais rápido, onde se passa a vida a correr atrás do efémero, exactamente aqui, a ideia do fim, da separação extrema, que acontecerá nalgum instante indefinido, é fonte de medos profundos, inaceitáveis, por vezes quase paralisantes.

Então, por que razão a visita ao cemitério é uma ocasião que dificilmente deixamos de cumprir?

A morte é um medo ancestral. Sendo assim, porque é que visitamos a casa dos mortos?

Visitamo-la para falar com eles. Vamos às suas sepulturas não só para recordar o passado, mas também para lhes apresentar, a eles que já não estão connosco, o nosso presente. Pedimos-lhes conselhos e conforto para as nossas escolhas de vida, especialmente quando são muito importantes ou quando estamos em dúvida.

Pode parecer insanidade, mas todos nós acreditamos que os mortos não nos deixam. Eles estão mais presentes do que os vivos, são guias que moldam as nossas acções, mesmo quando não nos damos conta.

Sentir perto de nós aqueles que partiram não significa permanecer na dor da perda. Pelo contrário, ao lembrarmo-nos das pessoas que estiveram junto de nós e que amámos, redefinimos a relação que tínhamos com elas. Criamos uma nova relação, não obstante reconhecermos o facto da despedida.

(…)
A pessoa falecida lembra-nos quem somos e de onde viemos, e dá sentido ao nosso presente; torna-se figura interior, luz na nossa alma. De ausência externa, o falecido transforma-se em presença interna.

(…)
Rezamos para aceitar a sua partida e aceitamos porque sabemos que os mortos se convertem, para nós, em sinal de bênção. É a nossa forma de não morrer aos poucos na morte daqueles que amamos e de abraçar aqueles que já não se encontram neste mundo, ainda que sem poder tocá-los.»

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

«Há gente que vive de tal maneira que não consegue morrer. Não há hipótese... Há gente que vive de tal maneira que desobedece aos ditames da morte e escapa à fatalidade de nos desaparecer.

Há gente que, pela maneira como vive, nunca mais morre. Ainda que quisesse, não era possível. Há maneiras de viver que, nem numa eternidade inteira, podem morrer. É a lei da vida, sempre mais forte e invencível que a lei da morte. Como é mais forte, sempre, a luz do que a escuridão. Se, durante a noite, abrires as janelas e as portas de uma sala bem iluminada, é a luz que sai e se difunde, não é a noite que entra. Há coisas assim, invencíveis, como a vida diante da morte, como a luz diante do escuro, como o amor face a face com todas as coisas.

Há gente que, na sua maneira de viver, se vai das leis da morte libertando. As leis da morte são os mandamentos do egoísmo, da maldade e da solidão. Há maneiras de viver que nos vão das leis da morte libertando, nos vão salvando quotidianamente daquilo que unicamente nos mata, nos desgraça: vencendo o egoísmo com uma capacidade de amar que é fonte de alegria para todos, extinguindo a maldade no fundo de um coração bom, simples e generoso, derrotando a solidão que às vezes se nos quer meter na vida através de uma doação sem medida e uma fecundidade que renova a face da terra.

Há gente a quem a vida não cabe no tamanho do corpo! Porque, na verdade, o mistério da vida que é para sempre não é simplesmente aquela vida que anima o corpo que temos, mas aquela que constrói o corpo que formamos com outros, com tantos outros que passam a fazer parte de nós, não só da nossa história mas da nossa própria identidade. Quando falamos em alma, não nos referimos simplesmente a uma qualquer fonte de vida invisível que levamos dentro, mas em primeiro lugar ao mistério da vida que construímos em comunhão com outros. A alma da gente não é só a vida que temos no corpo, mas a vida do corpo que formamos numa história entretecida de comunhão e amizade.»
(…)

(Rui Santiago)
«Quando há Amor a morte não interessa. “Até que a morte nos separe” acaba por ser uma proposição pessimista de gente com pouca fé que desconhece o que é e o que faz o Amor.» (José Luís Nunes Martins)

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

«É uma verdade psicológica bem conhecida: quando perdemos um familiar, uma pessoa amada, algo do que nos transmitiram continua a viver em nós e a inspirar-nos. Os nossos mortos vivem nos nossos corações. É a forma de “imortalidade” mais consoladora que há e a que mais me toca.»

(David Servant-Schreiber, in antes de dizer adeus)

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

«A dor e a morte são parte da vida. Rejeitá-las é rejeitar a própria vida.»
(Havelock Ellis)

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

«A vida é o princípio da morte. A vida só existe em função da morte. A morte é acabar e começar ao mesmo tempo, separação e união mais estreita consigo mesmo.»
(Friedrich Novalis)
«A vida não passa de uma oportunidade de encontro; só depois da morte se dá a junção; os corpos apenas têm o abraço, as almas têm o enlace.»
(Victor Hugo)
«Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança para acontecer de novo e não consegue.»
(Adriana Falcão)

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

«A distância entre o Céu e a Terra nunca poderá separar os corações que Deus uniu.» (São Francisco de Sales)

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

«É nas nossas vidas, e não nas nossas experiências conscientes, que encontramos a memória daqueles que já partiram. A nossa consciência é caprichosa e indigna da tarefa de recordar. A maneira mais importante de recordar os outros é ser a pessoa que fizeram de nós – pelo menos em parte – e viver a vida que nos ajudaram a delinear.»

(Mark Rowlands, in O filósofo e o lobo)

segunda-feira, 30 de julho de 2012

«Acho que quando uma ligação é muito profunda e poderosa, vive para sempre em algum lugar muito além das palavras e é de uma beleza indescritível. Com toda a agonia da minha perda, eu não trocaria a beleza e o poder dessa ligação por nada.»

(Susan B. Wilson)

sexta-feira, 27 de julho de 2012

«As lágrimas mais amargas derramadas sobre os túmulos são por palavras não ditas e actos não realizados.»
(Harriet Beecher Stowe)


Aquele que sabe que vai morrer

Quando se olha para um homem que sabe que vai morrer – não num qualquer dia incerto, mas em breve e inexoravelmente – não é a morte que contemplamos, mas a vida que nele resiste, essa vida que nos desconcerta porque a achávamos impossível quando o futuro, a redentora ideia de futuro, desaparece. Um homem que sabe que vai morrer já só tem o presente e tudo o que a ele conduziu, tem o tempo – contado, escasso, precioso –, tem um corpo que talvez já não domine, tem fé ou não a tem, tem gente à sua volta ou está sozinho, tem-se a si mesmo – inteiro, desmascarado, definitivo.
Que o homem que sabe que vai morrer faça uma piada, chegue mesmo a contar uma anedota, parece-nos o supremo heroísmo, ou a piedosa fuga que a consciência sempre permite. Mas este homem não tem pena de si mesmo, nem lamenta a injustiça, nem pede nada mais a não ser que o deixem despedir-se a seu modo, a uns com acertos de contas antigas, confissões, abraços, palavras por fim pronunciadas, a outros com não mais que um prato de tremoços e uma cerveja sorvida muito devagar, sem nada para dizer, e se dissesse alguma coisa seria:
– Que gosto estar assim e não ser preciso dizer nada.
Mas nem isso, nem isso. Só uma troca de olhares de vez em quando, um sorriso que se estende lentamente pela rua em volta, pelo voo da gaivota, pelo som estridente do eléctrico, pelas sardinheiras vermelhas à varanda, pelas adolescentes que passam, à gargalhada.
Olha-se para um homem que sabe que vai morrer e tudo nele é vida. Esse é o seu mistério e a sua grandeza.

(Carla Romualdo)

quinta-feira, 12 de julho de 2012

A vida é o maior dom

O homem concreto não quer morrer mas morre. Esta existência, aqui, é finita e, talvez por isso mesmo, ainda mais valiosa. Há, no entanto, mais mundos. Mais vida. Pode bem ser que este mundo seja parte de um todo maior, talvez uma aventura por onde se passa antes de retornar à nossa terra. Uma espécie de porta estranha que se atravessa para chegar ao lugar de onde se terá saído!
Não se consegue fugir da morte. Mas são muitos os que não percebem que a vida é o maior de todos os dons, e por isso fogem dela! Incapazes de compreender que por maior que seja a riqueza de um homem, o mais importante não se pode comprar – apenas se pode receber, generosa e gratuitamente, de quem nos amar. Sem que se apliquem, sequer, as lógicas de expectáveis reciprocidades...
Pensar na morte ajuda a compreender o que somos. A sua proximidade devia fazer-nos sentir mais vivos. Carregamos a nossa morte pela vida. Carregamos a fé de saber que a morte não nos destrói, apenas nos leva daqui...
Valerá a pena pensar, e amar, com o cuidado absoluto de deixar de lado tudo quanto não é senão mera superficialidade. O que sobra, muito pouco, abrace-se.

(José Luís Nunes Martins)

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Um Dia...
Um dia... Quando tiver partido deste mundo
E de mim te lembrares,
Quando a saudade bater forte
E o coração sentir falta
Do carinho sincero que te oferecia....

Quando as doces lembranças
Dos diálogos partilhados
Ainda reviverem no teu coração
E te fizerem sentir vontade
De voltar atrás no tempo...

Quando a saudade for tão forte e tão doce
Que a minha imagem apareça...

Chama por mim.... E eu estarei aqui,
Ao teu lado, à tua espera, como sempre estive
Porque o amor não morre...apenas adormece!...

(Ana Paula Bastos)

terça-feira, 12 de junho de 2012

«A vida é um pedaço de infinito em que todos os segundos contam. É a morte que nos dá a urgência.
A vida pode enganar o tempo; basta dar-lhe sentido.»
(Nuno Ramos de Almeida)

sexta-feira, 18 de maio de 2012

A Morte não é nada.
Apenas passei ao outro mundo!
Eu sou eu. Tu és tu.

O que fomos um para o outro ainda somos;
Dá-me o nome que sempre me deste;
Fala-me como sempre me falaste;
Não mudes o tom para triste ou solene;
Continua a rir com aquilo que nos fazia rir juntos;
Reza, sorri, pensa em mim, reza comigo.
Que o meu nome se pronuncie em nossa casa

como sempre se pronunciou.
Sem tristeza nenhuma, sem lástima alguma.
A vida continua a significar o que sempre significou.
Continua a ser o que sempre foi.
Entende, meu querido:
O cordão da união não se partiu!
Porque estarias tu fora dos meus pensamentos,
apenas porque estou fora da tua vista?
Não estou longe!
Aliás, estou muito perto de ti...
Apenas do outro lado do caminho...
Não te entristeças; em breve verás que tudo está bem...
Redescobrirás o meu coração e nele

a ternura mais pura que sempre tivemos um pelo outro!
Isso nunca acabará!
Até ao nosso reencontro!
Seca as tuas lágrimas e, se me amas como eu a ti,

não chores mais.....

(Santo Agostinho)

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Deveria ser proibido que a morte chegasse antes das manifestações suficientemente abundantes do nosso apreço pelo outro. Penso nas palavras não ditas, nos elogios que – por vergonha ou estupidez – deixamos por fazer... Mas, visto que à morte lhe é indiferente que o tenhamos já feito ou não, e visto que insiste em chegar – a nosso ver – de forma sempre prematura e imprevista, ficamos nós com o dever inadiável de nos anteciparmos a ela.
(João Delicado, sj)

terça-feira, 1 de maio de 2012

Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.

Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma

Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.

Alberto Caeiro
in Poemas Inconjuntos (1913-1915)

A noção de transitoriedade, o efémero e o eterno. A intimidade com a morte.
A Primavera como aquilo que mais se deseja. O esperado.
Como o melhor tempo, aquele que está para vir, mas chegará. Chega sempre.
Alberto Caeiro sabe que sim. A Primavera chegará, mesmo que ele já tenha partido.
(Sandra Raimundo)
O DOM DO ENCONTRO

Estamos aqui, condenados à morte, em busca de força para fazer um caminho que traz inquietações a cada momento, mas que também nos leva mais a cada passo. Não estamos sós – nunca se está só quando se espera alguém – porque há quem queira construir este caminho connosco, esquecendo-se do seu.

Há alguém que nos segue em silêncio. Diferente dos outros, não nos ajuda a levantarmo-nos quando caímos, mas também não se aproveita da proximidade para nos derrubar. Anda por aqui à nossa espera, admirando a forma como sonhamos e a força com que lutamos pelas realizações da nossa vida. Por vezes, empresta-nos a sua vontade e dá-nos mais firmeza e coragem para sermos felizes. E somos. Mesmo quando não nos damos conta disso.

A vida de cada um de nós é essencial para Deus. Mas, que razão o terá levado a criar para si mesmo esta prisão?

O amor é a entrega da vida. É saber que se é um meio para que o outro seja feliz. Uma força pura para a realização dos sonhos de outrem. Um sentido para a vida.

Neste mundo, os dias do amor são sempre curtos.

É urgente perceber que não vamos ficar aqui para sempre. Este mundo não é, contudo, um lugar menor. É um espaço e um tempo de belezas infinitas. É preciso olhar de forma pura o que nos rodeia, aprender a ver outra vez o sol e a chuva, a areia e as ondas. Que são sempre belas, desde que quem as sente as faça assim.

Se tudo te parecer cinzento e calado, talvez esteja assim... porque tu queres.

Afinal, para mudar uma paisagem, é preciso mudares o que sentes.

(Por José Luís Nunes Martins – investigador)

«Não busco esquecer a tua presença, apenas busco conviver com a enorme dor da tua ausência.» (A.D.)

sexta-feira, 20 de abril de 2012

O que está por dentro do que nos move?

Às vezes questiono-me sobre o movimento das emoções: que traços dariam rosto ao que pela intimidade vai chegando à flor da pele e que tantas vezes se perde e extingue nesse caminho, pelos medos, inseguranças, preconceitos...

Como chegamos ao âmago do que em nós é impulso de vida e liberdade, do que nos ergue pela manhã e traz uma nova luminosidade ao já iluminado?
Como chegamos à musicalidade do que nos faz sorrir, do que nos faz sonhar, do que nos faz chorar e calar, do que nos faz sorrir com quem sorri, chorar com quem chora, de partilhar o que somos num abraço?
Talvez esse caminho seja desenhado pelo silêncio, pelo mesmo silêncio com que assistimos a uma dança, a uma peça de teatro, com que ouvimos uma música, contemplamos uma pintura ou ouvimos um poema. Pelo mesmo silêncio que um bailarino, um actor, um músico, um pintor, um escultor ou um poeta criam em si quando deixam que o Criador se encontre com a criatura nesse preciso instante.

Nesse silêncio os contornos do encontro vão ganhando luz, vão ganhando rosto, forma e movimento. Nesse silêncio, onde o quotidiano parece estranho e já conhecido, vai-se iluminando o que em nós é vida e graça, vai-se dando o espanto com a vida e graça do outro e do mundo.
E começa a nascer a certeza de que cada um de nós traz uma vida por dentro, que deseja libertar-se, sair de si, encontrar-se com a de outros e aí se desdobrar em passos de uma nova dança. (Luísa Sobral)

quarta-feira, 21 de março de 2012

Amar é dar a vida a um outro. A sua. A única. Arriscar tudo. Tudo. A magnífica beleza do amor reside na total ausência de planos de contingência. Quando se ama, entrega-se a vida toda, ali, desprotegido, correndo o tremendo risco de ficar completamente só, assumindo-o com coragem e dando um passo adiante. Por isso a morte pode tão pouco diante do amor. Quase nada. Ama-se por cima da morte, porquanto o fim não é o momento em que as coisas se separam, mas o ponto em que acabam.

Não é por respirar que estamos vivos, mas é por não amar que estamos mortos.

De pouco vale viver uma vida inteira se não sentirmos que o mais valioso que temos, o que somos, não é para nós, serve precisamente para oferecermos. Sim, sem porquê nem para quê. Sim, de mãos abertas. Sim... porque, ainda além de tudo o que aqui existe, há um mundo onde vivem para sempre todos os que ousaram amar...

(José Luís Nunes Martins)

quinta-feira, 1 de março de 2012

«Ante a partida de um ente caro nos braços da morte inevitável, podemos optar pelo punhal do desespero ou pela chave da aceitação.» (desconheço o autor)

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

«A certeza da morte tem menos influência sobre a conduta humana do que seria de esperar.» (A. L. Gordon)
«Para avaliar a importância real de uma pessoa, devemos pensar nos efeitos que a sua morte produziria.» (François Gaston de Levis)
«Para avaliar a importância real de uma pessoa, devemos pensar nos efeitos que a sua morte produziria.» (François Gaston de Levis)
«O homem fraco teme a morte, o desgraçado chama-a; o valente procura-a. Só o sensato a espera.» (Benjamin Franklin)
«O homem fraco teme a morte, o desgraçado chama-a; o valente procura-a. Só o sensato a espera.» (Benjamin Franklin)
«Possuímos apenas aquilo que não perderemos com a morte; tudo o mais é ilusão.» (autor desconhecido)
«Possuímos apenas aquilo que não perderemos com a morte; tudo o mais é ilusão.» (autor desconhecido)
«Nesta vida temos três professores importantes: o Momento Feliz, o Momento Triste e o Momento Difícil. O Momento Feliz mostra o que não precisamos de mudar. O Momento Triste mostra o que precisamos de mudar. O Momento Difícil mostra que somos capazes de superar.» (Mário Quintana)
«Nesta vida temos três professores importantes: o Momento Feliz, o Momento Triste e o Momento Difícil. O Momento Feliz mostra o que não precisamos de mudar. O Momento Triste mostra o que precisamos de mudar. O Momento Difícil mostra que somos capazes de superar.» (Mário Quintana)
Quando nos morre alguém muito querido, morre também a parte de nós que nunca se habitua a perder esse alguém.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Como enfrentar a morte?

«A morte de uma pessoa chegada é sempre um momento muito duro. É a despedida de alguém que já não vais voltar a ver. Muito do que essa pessoa significava para ti se desmorona a teus pés. É por isso que muitas pessoas preferem não pensar, não falar na morte.
No entanto, ignorá-la é uma imprudência e um desperdício. Nunca saberás nem o dia nem a hora, mas um dia tudo acaba. Ter consciência da morte é o começo de uma nova vida: porque passas a relativizar os teus problemas mas, sobretudo, porque valorizas devidamente aquilo que é mesmo essencial.
E seguirás adiante, confiante e não amedrontado, porque sabes que há um futuro que a morte não apaga.»
(P.e João Delicado, sj)

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Diálogo de duas crianças sobre a Ressurreição

No colo de DEUS





Um rapazinho contava aos colegas da escola:
- O Leo não quer morrer. Morrer deve ser a pior coisa do mundo. Porque quando nós morremos, somos postos no caixão e mandam-nos para debaixo da terra.
Um deles declarou:
- Não! Quando a gente morre, se a gente está com Jesus, a gente vai para o Céu.
Outro respondeu:
- Não vai, não. Depois de morto, como é que vais para o Céu?
Então, o rapazinho pensou e disse:
- Já alguma vez adormeceste no sofá?
- Eu já!
- E quando acordaste no dia seguinte, estavas no sofá?
- Não. Estava na minha cama.
- E como é que foste para a cama, a dormir?
- Ah! O meu pai e minha mãe pegam-me ao colo e levam-me do sofá para o quarto.
- É a mesma coisa: Jesus ensinou que, quando nós morremos, morremos ali naquele sofá, naquele caixão, e quando estamos a dormir, o Pai vem, pega em nós ao colo e põe-nos no Céu.

(Padre Léo)

Que Deus?

Boss AC



http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=VSTGhKsvqkE



Há perguntas que têm de ser feitas...

Quem quer que sejas, onde quer que estejas,
Diz-me se é este o mundo que desejas,
Homens rezam, acreditam, morrem por ti,
Dizem que estás em todo o lado mas não sei se já te vi,
Vejo tanta dor no mundo, pergunto-me se existes,
Onde está a tua alegria neste mundo de homens tristes?
Se ensinas o bem, porque é que somos maus por natureza?
Se tudo podes, porque é que não vejo comida à minha mesa?
Perdoa-me as dúvidas, tenho de perguntar,
Se sou teu filho e tu amas, porque é que me fazes chorar?
Ninguém tem a verdade, o que sabemos são palpites.
Se sangue é derramado em teu nome, é porque o permites?
Se me deste olhos, porque é que não vejo nada?
Se sou feito à tua imagem, porque é que durmo na calçada?
Será que pedir a paz entre os homens é pedir demais?
Porque é que sou discriminado se somos todos iguais?

Porquê?!

Porque é que os Homens se comportam como irracionais?
Porque é que guerras, doenças matam cada vez mais?
Porque é que a Paz não passa de ilusão?
Como pode o Homem amar com armas na mão? Porquê?
Peço perdão pelas perguntas que têm de ser feitas.
E se eu escolher o meu caminho, será que me aceitas?
Quem és tu? Onde estás? O que fazes? Não sei...
Eu acredito é na Paz e no Amor...

Por favor, não deixes o mal entrar no meu coração,
Dou por mim a chamar o teu nome em horas de aflição,
Mas tens tantos nomes, és Rei de tantos tronos,
E se o Homem nasce livre porque é que é alguns são donos?
Quem inventou o ódio, quem foi que inventou a guerra?
Às vezes acho que o inferno é um lugar aqui na Terra,
Não deixes crianças sofrer pelos adultos.
Os pecados são os mesmos o que muda são os cultos.
Dizem que ensinaste o Homem a fazer o bem,
Mas no livro que escreveste cada um só leu o que lhe convém,
Passo noites em branco quase sem dormir a pensar,
Tantas perguntas, tanta coisa por explicar,
Interrogo-me, penso no destino que me deste,
E tudo o que acontece é porque tu assim quiseste.
Porque é que me pões de luto e me levas quem eu amo?
Será que essa é a justiça pela qual eu tanto reclamo?
Será que só percebemos quando chegar a nossa altura?
Se calhar, desse lado está a felicidade mais pura.
Mas se nada fiz, nada tenho a temer,
A morte não me assusta o que assusta é a forma de morrer...

Porque é que os Homens se comportam como irracionais?
Porque é que guerras, doenças matam cada vez mais?
Porque é que a Paz não passa de ilusão?
Como pode o Homem amar com armas na mão? Porquê?
Peço perdão pelas perguntas que têm de ser feitas
E se eu escolher o meu caminho, será que me aceitas?
Quem és tu? Onde estás? O que fazes? Não sei...
Eu acredito é na Paz e no Amor...

Quanto mais tento aprender, mais sei que nada sei,
Quanto mais chamo o teu nome, menos entendo o que te chamei!
Por mais respostas que tenha, a dúvida é maior,
Quero aprender com os meus defeitos, acordar um homem melhor,
Respeito o meu próximo para que ele me respeite a mim,
Penso na origem de tudo e penso como será o fim.
A morte é o fim ou é um novo amanhecer?
Se é começar outra vez, então já posso morrer...

(Ao largo ainda arde, a barca da fantasia,
o meu sonho acaba tarde,
acordar é que eu não queria...)

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

não somos daqui

Uma das virtudes da doença e da velhice é que nos recorda que não somos daqui. Lembra-nos que não pertencemos a este mundo. Traz-nos à memória que, para estarmos aqui, tivemos de nascer e que um dia, para sairmos deste mundo, seremos chamados a nascer outra vez. Diz S. Paulo que esse dia chegará de noite, como um ladrão, não para nos roubar, mas para nos devolver a onde pertencemos por direito próprio, como filhos da Luz.

(João Delicado, s.j. - http://rfm.sapo.pt/reflectir.aspx?tab=5 Ja Agora - Sabado_21Jan12)

não somos daqui

Uma das virtudes da doença e da velhice é que nos recorda que não somos daqui. Lembra-nos que não pertencemos a este mundo. Traz-nos à memória que, para estarmos aqui, tivemos de nascer e que um dia, para sairmos deste mundo, seremos chamados a nascer outra vez. Diz S. Paulo que esse dia chegará de noite, como um ladrão, não para nos roubar, mas para nos devolver a onde pertencemos por direito próprio, como filhos da Luz.
(João Delicado, s.j. - Ja Agora - Sabado_21Jan12)

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Invisíveis, não ausentes!


Victor Hugo, o grande génio literário desaparecido no século xix, que foi também um defensor dos tiranizados e das mais nobres causas sociais, assim como promotor do ensino e da educação, deixou algumas obras póstumas. Numa delas, que versa a imortalidade, pode ler-se:

- «A morte não é o fim de tudo. Ela não é senão o fim de uma coisa e o começo de outra.
Na morte, o homem acaba e a alma começa.»
Que digam esses que atravessam a hora fúnebre, a última alegria, a primeira do luto. Digam se não é verdade que ainda há ali alguém e que não acabou tudo?
Eu sou uma alma. Bem sinto que o que darei ao túmulo não é o meu eu, o meu ser. O que constitui o meu eu irá além.»

- «A alma tem sede do absoluto e o absoluto não é deste mundo. É demasiado pesado para esta terra.»

- «A morte é uma mudança de vestimenta.»

- «A morte é uma continuação. Para além das sombras, estende-se o brilho da eternidade.»

- «Aquele que dorme e desperta, desperta e vê que é homem. Aquele que é vivo e morre, desperta e vê que é espírito.»


Victor Hugo estava certo: a morte não é uma desgraça, é uma libertação! As pessoas tornam-se invisíveis, mas não estão ausentes!

(Pintura de Célia Fenn)

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

«Posso resumir tudo o que aprendi sobre a vida em duas palavras: ela termina.» (Robert Frost)
«Os mortos são na vida os nossos vivos. Andam pelos nossos passos, trazemo-los ao colo pela vida fora e só morrem connosco.» (Florbela Espanca)

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

«O que é belo não morre: transforma-se em outra beleza.» (Balley Ardrich)
«O que é belo não morre: transforma-se em outra beleza.» (Balley Ardrich)
«Morremos um pouco cada vez que perdemos um ente querido.» (Publilius Syrius)
«Morremos um pouco cada vez que perdemos um ente querido.» (Publilius Syrius)
«Congratulamo-nos, às vezes, no momento em que despertamos de um sonho lúgubre. Poderia ser assim no momento que se segue à morte.» (Nathanael Hawthorne)
«Quando morremos, deixamos atrás de nós tudo o que possuímos e levamos tudo o que somos.» (Autor desconhecido)
«Quando morremos, deixamos atrás de nós tudo o que possuímos e levamos tudo o que somos.» (Autor desconhecido)
«Para avaliar a importância real de uma pessoa, devemos pensar nos efeitos que a sua morte produziria.» (François Gaston de Levis)
«Para avaliar a importância real de uma pessoa, devemos pensar nos efeitos que sua morte produziria.» (François Gaston de Levis)
«Começamos a morrer no momento em que nascemos, e o fim é o desfecho do início.» (Marcus Manilius)
«Começamos a morrer no momento em que nascemos, e o fim é o desfecho do início.» (Marcus Manilius)
«Morrer é apenas não ser visto. Morrer é a curva da estrada.» (Fernando Pessoa)
«Morrer é apenas não ser visto. Morrer é a curva da estrada.» (Fernando Pessoa)
«Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe.» (Oscar Wilde)
«Nunca estão fechadas todas as portas enquanto estivermos vivos.» (José Luis Martín Descalzo)
«Quem tem algo por que viver é capaz de suportar qualquer "como".» (Nietzsche)
«Quem tem algo por que viver é capaz de suportar qualquer "como".» (Nietzsche)
«A esperança adquire-se. Chega-se à esperança através da verdade, pagando o preço de repetidos esforços e de uma longa paciência. Para encontrar a esperança é necessário ir além do desespero. Quando chegamos ao fim da noite, encontramos a aurora.» (Georges Bernanos)
«A esperança adquire-se. Chega-se à esperança através da verdade, pagando o preço de repetidos esforços e de uma longa paciência. Para encontrar a esperança é necessário ir além do desespero. Quando chegamos ao fim da noite, encontramos a aurora.» (Georges Bernanos)
«Ninguém pode livrar os homens da dor, mas será bendito aquele que fizer renascer neles a coragem para a suportar» (Selma Lagerlof).
«A verdadeira afeição na longa ausência se prova.» (Camões)
«A verdadeira afeição na longa ausência se prova.» (Camões)
«Para nunca sofrer é preciso nunca amar.» (Léa Waider)
«Temer o amor é temer a vida, e os que temem a vida já estão meio mortos...»
(Bertrand Russel)

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Eco da leitura, de Ana M. Bijóias Mendonça

Este não é "simplesmente" um livro que fala de morte e perda. É muito mais: trata-se de um retrato dolorosamente lúcido, acutilante e inteligente sobre um amor nem sempre expresso em vida, de uma filha pelo seu pai (e mãe). O falecimento recente do pai (a "morte", para não mascarar a realidade, como diz a autora), é o mote para um relato visceral, dorido, mas conciliador da autora consigo própria e com as circunstâncias.
Imperdível, para quem se encontra numa situação semelhante.
Inesquecível para os demais.

(Ana Maria Bijóias Mendonça)