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segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

«Só quem perdeu uma pessoa próxima sabe como isso é doloroso. O vazio, o torpor, por vezes a raiva provocada pela morte de alguém, assalta-nos como um bandido na estrada; deita-nos por terra, deixando-nos feridos e magoados. O que nos salva é que, pouco a pouco, percebemos que não foi a outra pessoa que partiu, somos nós que ficámos; não é o outro que está a passar mal, somos nós que devemos tempo ao luto; não é o outro que tem medo da morte, somos nós que resistimos a aceitar a nossa finitude. No fim – pode demorar meses ou anos – a dor terá trazido um fruto inesperado: terá evitado que passássemos ao lado da nossa própria vida.»

(João Delicado, sj)

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

«Ter a morte por perto assusta, mas permitir que esse medo seja tão incapacitante que só a própria morte lhe possa pôr fim é algo tremendamente absurdo.

Aquilo de que verdadeiramente a maior parte das pessoas tem medo é de viver uma vida sem sentido. Passar o seu tempo, o único tempo que tem, a fazer escolhas erradas. A verdade da vida parece bem mais evidente perante a consciência do seu/nosso fim iminente.

Saibamos escutar os conselhos tranquilos e sábios dos mais velhos, sem cair na tentação de os confrontar com a sua própria vida; talvez tenha sido precisamente por terem escolhido mal para si que, agora, nos possam ajudar a não fazermos o mesmo.

Aprender a procurar a tranquilidade e a vivê-la é algo extremamente simples e valioso. Trata-se de aceitar com um sorriso o que a vida nos dá, apreciar o pouco que seja, em vez de andarmos alienados a sonhar com coisas tontas. A nossa ansiedade, raiva e frustração são sinais de que algo de essencial está errado entre nós e o mundo, e talvez não seja o mundo.

Nada na vida é garantido e isso torna-a ainda mais bela. Um dom.

Devíamos deixar que a paz nos guiasse por entre os nossos dias e noites. Afinal, a felicidade não está nos sonhos, mas sim na capacidade que temos de aceitar e admirar calmamente o fragmento de vida que nos anima.

Quem assim sabe viver talvez possa encarar a morte como apenas mais um momento mau entre duas tranquilidades.»


(José Luís Nunes Martins – investigador)

«A vida é-nos dada para que possamos aprender a morrer bem e nunca pensamos nisso! Para morrer bem, precisamos de viver bem.» (S. João Maria Vianney)