«Só quem perdeu uma pessoa próxima sabe como isso é doloroso. O vazio, o torpor, por vezes a raiva provocada pela morte de alguém, assalta-nos como um bandido na estrada; deita-nos por terra, deixando-nos feridos e magoados. O que nos salva é que, pouco a pouco, percebemos que não foi a outra pessoa que partiu, somos nós que ficámos; não é o outro que está a passar mal, somos nós que devemos tempo ao luto; não é o outro que tem medo da morte, somos nós que resistimos a aceitar a nossa finitude. No fim – pode demorar meses ou anos – a dor terá trazido um fruto inesperado: terá evitado que passássemos ao lado da nossa própria vida.»
(João Delicado, sj)
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