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terça-feira, 27 de maio de 2014

Soneto do amor e da morte



Quando eu morrer murmura esta canção
Que escrevo para ti. Quando eu morrer
Fica junto de mim, não queiras ver
As aves pardas do anoitecer
A revoar na minha solidão.

Quando eu morrer segura a minha mão,
Põe os olhos nos meus se puder ser,
Se inda neles a luz esmorecer,
E diz do nosso amor como se não

Tivesse de acabar, sempre a doer,
Sempre a doer de tanta perfeição
Que ao deixar de bater-me o coração
Fique por nós o teu inda a bater,
Quando eu morrer segura a minha mão.

Vasco Graça Moura,
in "Antologia dos Sessenta Anos"

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