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domingo, 11 de janeiro de 2015

Comunhão na dor


«Estou na pele de quem sofre. É isto que sinto. Quando alguém próximo de mim passa por uma situação destas – da morte de alguém importante – eu sofro porque sei aquilo que estão a sentir, o buraco para onde deslizam devagar e do tempo que demora a sarar uma ferida tão grande. Conheço essa dor que nos paralisa e nos prende o coração.
Nos primeiros tempos, não sentimos nada, nem o que nos dói nem o que nos faz bem. Fazemos o que nos é pedido, aguentamos o dia, esperamos a noite para descansar do esforço de sobreviver. Chegará o dia em que, devagar, vamos acordando para a nova realidade. É uma escolha, teremos de ser nós a decidir. Para podermos voltar a sentir o bom, a experimentar a alegria e a felicidade, teremos de percorrer todos os caminhos da dor. É preciso fazer o luto. Correr o risco de sofrer – porque vamos sofrer, muito – para, depois, nos alimentarmos do amor. Porque o amor nunca morre.»

(Marta Aragão Pinto, No Céu a Olhar por Mim, págs. 144, 145)

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