Morre
lentamente quem se transforma escravo do hábito,
repetindo
todos os dias o mesmo trajecto,
quem
não muda as marcas no supermercado,
não
arrisca vestir uma cor nova,
não
conversa com quem não conhece.
Morre
lentamente quem evita uma paixão,
quem
prefere o “preto no branco”
e
os pingos nos “ii” a um turbilhão de emoções indomáveis,
justamente
as que resgatam brilho nos olhos, sorrisos e soluços, coração aos tropeços,
sentimentos.
Morre
lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho,
quem
não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,
quem
não se permite, uma vez na vida,
fugir
dos conselhos sensatos.
Morre
lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da chuva incessante,
desistindo de um projecto antes de iniciá-lo,
não
perguntando sobre um assunto que desconhece
e
não respondendo quando lhe indagam o que sabe.
Evitemos
a morte em doses suaves,
recordando
sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que o simples acto de respirar.
Estejamos vivos, então!
Martha
Medeiros,
citado em Manuel Forjaz, «Nunca desistas da Vida»

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