SABER MORRER PARA SABER VIVER
«Curiosamente, tal como acontece com o envelhecimento, vivemos numa sociedade que tenta contornar e negar a morte. Tornou-se num assunto tabu. Não se quer falar. Sempre existiu no ser humano o desejo de querer beber o elixir da imortalidade para perpetuar-se no tempo e livrar-se da Tanatofobia. O medo da morte pode ser enfrentado. Há quem diga que só tem medo de morrer quem tem medo de viver.»
«Durante a nossa vida precisamos de enfrentar as nossas fragilidades. Existem mudanças com as quais sofremos, mesmo sabendo que são necessárias. Contudo, a aceitação de uma perda pode, inicialmente, gerar sentimentos de desespero, desamparo, ansiedade e medo. Na verdade, aceitar uma perda, implica ser capaz de continuar a vida sem a pessoa perdida. Quer quando acontece uma morte, quer quando um relacionamento se quebra, quer quando efetuamos mudanças na vida a que estão associadas perdas (saída da casa dos pais, mudança de emprego, mudança de cidade). Precisamos de aprender a viver com essas perdas. Implementar mudanças pode significar assumir novas responsabilidades, desenvolver a autonomia, ser capaz de tomar decisões sozinho.»
«O corpo, que é linguagem, vai morrendo desde que nasce, ao morrerem umas células dando lugar a outras. Somos sempre transformados e transfigurados. Além disso, também morremos no encontro com o outro, nas escolhas da vida, morremos nos nossos quereres e vontades, optando por algo que se considere maior e faça mais sentido.»
(D. Silva e C. Rodrigues, para Pátio dos Gentios)
«Não se descura que o medo de morrer é natural. É o medo do desconhecido que pode gerar sentimentos de impotência, de revolta e de vazio. Estes podem ser de tal modo fortes e avassaladores que, muitas vezes, não nos sentimos preparados para encarar a nossa finitude de forma pacífica. Precisamos, contudo, de aprender a aceitar a morte. Quanto mais consciência tivermos da nossa finitude, mais capazes seremos de dar valor à vida.»
(Inês Menezes, xispublico, 04-03-06)
«Questionarmo-nos sobre a morte leva-nos a questionar a própria vida e o seu sentido. Cada pessoa é diferente. Não deveríamos buscar um sentido abstracto da vida pois cada um tem a sua própria missão a cumprir; cada um deve levar a cabo um compromisso concreto.»
(Viktor Frankl)
«Apesar da condição de seres-para-a-morte, esta não deve ser entendida como um passo para o absurdo, mas sim um dos passos da nossa condição humana. A morte pode ser encarada de formas diferentes, depende de cada um. Numa perspectiva apenas de relação corporal a morte é o fim. Já na perspectiva onde a relação é de transcendência espiritual, podemos falar de ressurreição dado que somos seres de liberdade e também de esperança. Viver sem desesperar e ao mesmo tempo sem ter de iludir a angústia do morrer cada dia, nem da certeza de que um dia “tudo acaba”.»
(Vasco Pinto Magalhães, in Pensar a Morte).
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