Olá Maria José
Quero deixar aqui um breve testemunho da minha leitura de ontem.
De facto, só apaguei a luz na última página do seu livro – capa verde, Esperança... – e adormeci agradecido à vida e a si.
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Mas a Maria José, em particular, mostra neste livro a extrema coragem com que partiu para um caminho de superação a partir de estações iniciais em que reconhecia lacunas e deficiências que a impossibilitavam de avançar. Mas avançou. Enfrentou. A passagem pela TVI, que a minha irmã viu e de que me falou, foi um momento de passagem e reconhecimento do mapa por onde viria depois a caminhar. Às apalpadelas, pouco confiante, mas corajosamente, como uma criança que decide entrar no quarto escuro e não sabe se dará com o interruptor. Mas avança. De braços no ar, para não magoar o rosto. A falar alto para afugentar fantasmas. E sempre andando. Até encontrar a luz. Foi esta a imagem com que fiquei depois de ler este seu belo livro.
A Maria José acendeu a luz mas sabe que por vezes há falhas de corrente. Momentâneas, casuais, às vezes demoradas. Mas tem aprendido que a luz volta sempre, nem que seja na velinha que um companheiro de jornada acende inesperadamente. "Aprender" – esta a palavra-chave do seu percurso. A Maria José aprendeu a aprender e isso requer humildade, aceitação. Sim. Humildade, que é a forma mais nobre da verdade. Aceitar a verdade do que se é e partir daí para a transformação, o verdadeiro processo de Natal de que falamos todos os anos por esta altura, quando o sol (tão importante para si...) é mais fraco e a Natureza parece vacilar. Ao longo do livro fui encontrando essa palavra-chave ("aprendi"), garantia para o sucesso da jornada.
E reconheci que nesse processo de aprendizagem há um elemento importante, e que me atingiu: a necessidade de partilhar o caminho. O livro é isso, assim como o blogue em fase inicial mas que pode ser outro elemento poderoso de com-vivência com os outros. Também tenho os meus blogues e isso é um ponto de encontro importante para estruturar os dias e superar o isolamento.
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Ao pôr este livro na minha/nossa mão (a Manuela vai lê-lo também), recebi a mensagem de alguém que não teme expor-se, porque sabe que ao fazê-lo está a assumir intensamente o humanismo, essa qualidade que faz com que amemos os outros no que são e não no que queremos que sejam.
Não partilho a crença num deus salvador, como sabe. Mas partilho a confiança no imenso processo da VIDA e procuro aceitar os limites da minha compreensão para a sua grandeza. Acredito no Natal como renascimento da vida, dentro e fora de nós, a partir do Amor, essa luz que dissipa as forças destrutivas das trevas da ignorância e do medo.
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Obrigado, Maria José. Com todo o afeto,
Joaquim Moedas Duarte
Fiquei surpreendida e muito agradada com um feedback tão rápido e favorável da leitura do livro. Pude constatar que ele vai cumprindo o seu objectivo principal: a comunicação empática que decorre da identificação, se não com o todo, pelo menos com o essencial. É esta comunicação de "alma a alma" que mais faz sentido, para mim.
ResponderEliminarEsqueci-me de vos dizer que só abrindo a capa se tem a panorâmica completa da aguarela que lhe serviu de base. Trata-se de uma pintura de uma amiga minha, que fez o obséquio de ma facultar para este fim.