«Ao iniciar a leitura deste livro, logo na página 3, dei-me conta que a Maria José já tinha escrito o prefácio (apresentação da obra) e de modo muito sucinto. Na verdade, em algumas palavras diz ao que vem: é um tributo ao pai e à mãe, homenagem à médica que tratou aquele, expressão de gratidão ao marido e pessoas próximas que estiveram na sua dor de perda do pai e, last but not least, um meio de comunhão com pessoas em processo de luto.
Claro que demonstra assim a sua capacidade de síntese, mas não faz justiça completa ao conteúdo do livro. Na verdade, este questiona-nos sobre a MORTE, que a Maria José insiste em nomear sem rodeios (não a passagem, trânsito, sono eterno, grande viagem, etc.), acerca das nossas atitudes em relação a pessoas que perderam um ente querido e é uma reflexão sobre a vida e também uma lição sobre esta. Ainda, e talvez o mais importante para ela (a autora), é o reconhecimento simultâneo da descoberta de um pai “real”, que surge ao “descobrir-se” também a si, sob a forma de um testemunho pungente.
Este testemunho é escrito numa linguagem fluida, inteligente, com humor e emotiva, de tal modo que quase se entrevê a mímica e outra linguagem corporal da autora. A sua personalidade perpassa ao longo das páginas – hiperemotiva, exigente, crítica, rebelde mas também insegura, com uma incapacidade básica de confiar – permanecendo, sobretudo, a autenticidade! Apetece, pois, ler!»
Mário Simões
Psiquiatra
Professor da Faculdade de Medicina de Lisboa
Autor na área dos Estados Modificados de Consciência
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