Em primeiro lugar, porque não conseguia conter dentro de mim todos os pensamentos e sentimentos – por vezes contraditórios – que me assolavam. A sensação era de rebentar se não o fizesse. Por outro lado, acredito que mesmo o sofrimento – por mais atroz que seja – não me dá o direito de ser egoísta. Afinal, muitos outros seres humanos já passaram, estão a passar ou passarão por alguma experiência de luto, que, não obstante as especificidades próprias de cada situação, apresentam sempre muitas semelhanças de base. Nesta perspectiva, tal como eu colhi ensinamentos e conforto das vivências de outras pessoas, pensei que talvez pudesse ajudar alguém com esta minha, numa plataforma de identificação e comunicação de coração a coração.
Tive, ao longo do processo de composição do livro, a tentação de desistir, porque é extremamente duro lidar com a realidade como ela se afigura no período mais “agudo” do luto e com sentimentos tão dolorosos. Porém, sentia a necessidade veemente de fazer esse trabalho interior e havia em mim um certo sentido de missão.
Calar a minha dor não era, portanto, solução para nada. O que eu tinha era de a partilhar, de a deixar sair e de me permitir ajudar a crescer através dela.
Sem comentários:
Enviar um comentário